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CD 4 Sinfonias ____________________________________________________________________________________________
North Czech Philharmonic Orchestra Maestro Charles Olivieri-Munroe |
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Sinfonia 3 ‘Arquipélago magnético’ Sinfonia 4 ‘Buda Dharma’ Sinfonia 6 ‘Monte Verde’ Sinfonia 8 ‘A procura da luz’
Gravação: 2006-Outubro 31/ Novembro 3 Teplice Concert Hall, República Checa
Engenheiro de som: Jaroslav Hudec Produtor da gravação: Andrew Mah
Produtor executivo: José Da Silva
Texto: Henri-Claude Fantapié
Fotos: João Barbosa Design: Jocelyn Umengan e UMC Design
Edição digital e master final: Andrew Mah
Co-produção Harmonia e Vasco Martins
Para adquirir este CD:
E-mail: producao@harmonia.com
A Orquestra North Czech Philharmonic Orchestra O começo das actividades da orquestra em Teplice não pode ser determinado. O estatuto oficial precede uma antiga mudança da orquestra em colunatas e passeios. A carta de fundação da orquestra foi oficialmente aprovada em 1831. Johann Wolfang von Goethe e Ludwig van Beethoven, que trabalhou em Teplice em algumas composições, conheceram-se nesta cidade, tal como Richard Wagner. Fryderyk Chopin e Ferenc Liszt deram concertos em Teplice. Outros convidados foram Robert Schumann, Bedrich Smetana e muitos outros artistas. No fim do século a orquestra apresentou ciclos regulares de música sinfónica com a interpretação dos mais solicitados maestros e solistas daquele tempo. Entre eles, havia por exemplo Eugen d’Albert, Félix von Weingartner, Richard Strauss, os pianistas Ferrucio Busoni, Conrad Ansorge, Emil Sauer, Erno Dohnányi, Frederic Lamond, os violinistas Pablo de Sarasate, Eugéne Ysaye, Bronislav Huberman, Fritz Kreisler, Alexander Pecnikov, Henri Marteau, os violoncelistas David Popper, Julius Klengel, Hugo Becker, Anton Hekking, os cantores Lili Lehmann, Ernestina Schumann-Heineke e muitos outros.
O fim do século XIX foi caracterizado por um grande desabrochar na vida musical de Teplice. Depois da primeira Guerra Mundial ocorreu um aumento significativo da orquestra. Mas as suas actividades terminaram no fim da segunda Guerra Mundial com o encerramento do Teatro Alemão. Depois da guerra, Teplice esforçou-se para restaurar a vida cultural na cidade. Em 1948 nasceu uma nova orquestra chamada “The City SPA Orchestra”. No primeiro ano houve muitos maestros. Em Janeiro de 1949, Miloslav Bervíd foi o director geral da orquestra e o seu principal objectivo era reconstruir a SPA Orchestra, para ser capaz de manejar os mais difíceis desafios. Em Setembro de 1956 Bohumil Berka foi nomeado na posição de líder artístico da orquestra. Deixou duradouras impressões artísticas e foi o líder da orquestra até 1972. Na posição de segundo maestro houve algumas personalidades conhecidas- Martin Turnovsky, Libor Pesek e Vladimir Válek. No ano de 1972 Jaroslav Soukup foi director geral da orquestra e maestro líder. Mais uma vez ele aumentou a orquestra, que no ano de 1979, foi chamada de North Czech Philharmonic Orchestra. Foi a sua ideia reconstruir uma sala de concerto de nível artisticamente elevado e óptimo nível acústico. No ano de 1989 Jan Stavan foi o maestro líder e em 1991, Tomás Koutnik. Na temporada 1997-98 Charles Olivieri-Munroe ficou como maestro e até hoje ainda ocupa essa posição. A North Czech Philharmonic realizou muitas tournées. A cidade de Teplice e o país inteiro foram representados em Itália, Áustria, Alemanha, Suíça, Espanha e Mónaco. O centro da gravidade está na organização de concertos regulares e sucessivos, colunatas e passeios juntamente com o SPA de verão na cidade de Teplice. Também com a autorização da cidade de Teplice a North Czech Philharmonic Orchestra organiza o Festival Musical Ludwig van Beethoven.
Maestro Charles Olivieri-Munroe
O Maestro canadiano, Charles Olivieri-Munroe, possui uma vasta experiência da orquestra sinfónica. Nos anos 90, estudante em Checoslováquia, absorveu a música sinfónica da Europa Central. Dez anos depois, numa cerimónia no prestigioso 2000 “Prague Spring International Orchestra Conducting Competition”, ficou em primeiro lugar e isto permitiu-lhe uma carreira internacional. Como convidado, trabalhou com grandes orquestras tal como Deutch Symphony Orchester, Vienna Tonkunstler Orchestra, Budapest Symphony Prague Philharmonia, Lisbon Metropolitan Orchestra, the New Japan Philharmonic, Toronto Symphony Orchestra, Orchester der Beethovenhalle Bonn, Athens State Symphony Orchestra, Royal Seoul Philharmonic, entre outras.
As Sinfonias ora editadas em CD Sinfonia 3 ‘Arquipélago magnético’ A Sinfonia 3, ‘Arquipélago magnético’ pertence á série sinfónica que Vasco Martins começou a empreender com ‘Danças de Câncer’ em 1989: recriação de ambientes naturalistas de Cabo-Verde, com forte apelo ao ritmo e sensibilidade musical das ilhas. Assim, o primeiro movimento começa com acordes épicos no naipe dos cobres (trompas, trompetes e trombones) seguido de um tutti da orquestra numa espécie de introdução ou anunciação. É depois disso que o discurso musical prossegue a sua viagem, com mosaicos rítmicos e melódicos intensamente baseados no compasso 6/8 usado, quer no Batuque quer no S.Jõm. E assim sobrepostas, as melodias acabam por atingir um impetuoso final que pode ser fixado entre o funáná e a coladeira. Para Vasco Martins as forças musicais tradicionais de um país não devem ser tidas como simples apontamentos folcloristas a serem usadas pelo compositor sinfónico; pelo contrário, o compositor deve ter a faculdade, não de imitar, mas sim de continuar o forte movimento criativo dessas tradições. O segundo movimento desenvolve-se melodicamente em três partes, com harmonia circular nas cordas e a dominante subentendida. O contraponto melódico atinge um ff orquestral. Uma outra série melódica continua, constituindo uma coda final. Os temas são intimistas porque é um movimento inspirado na Morna, razão por que o compositor o desejou solene. O ‘Final generoso’, como o título indica, é um movimento em ‘continuum’, de expressão jubilosa. O tema repete-se nos vários naipes até atingir a massa sonora. Os tímpanos tocam a contratempo, acabando em acordes expansivos épicos, símbolo edificante da energia que emana das ilhas vulcânicas do ‘Cabo-Verde Magnético’, a última extensão do território ocidental do Grande Deserto.
Sinfonia 4 ‘Buda Dharma’ Esta sinfonia, escrita em dez dias, foi directamente orquestrada, em Março de 2001. Depois da sua primeira audição em Setembro e Outubro do mesmo ano em S.Paulo, Brasil, dirigida pelo maestro Lutero Rodrigues, viria a sofrer uma revisão. Na altura da sua composição, Vasco Martins dedicava-se à leitura da literatura budista e à mensagem resplandecente desta doutrina filosófica, circunstâncias que terão contribuído para a positividade e tranquilidade que emanam desta sinfonia. O espírito não dual da doutrina budista (tudo está interligado, causas e efeitos se repetem para formar o extensivo mundo fenomenal), inspirou o compositor a escrever a partitura em vários sítios da ilha de S.Vicente: junto ao mar, nos montes e colinas, juntos a rochedos cobertos de líquenes, debaixo dos últimos tamarindos da ilha… É uma sinfonia com um só movimento, mas com cinco partes que se sucedem. O começo, em La maior, tem um ambiente melódico contemplativo simples e calmo que vai passando pelos instrumentos de madeira até atingir um pico orquestral em Mi bemol. Em seguida uma melancólica melodia nos violoncelos e trombone em La menor é desenvolvida até outra massa sonora. Sucede-se uma parte em Do maior (modo mixolidio) com ostinatos nas flautas e picollo conduzindo a um ff da orquestra. A parte final é profunda e nobre e o esplendor orquestral final em Mi maior simbolizam a esperança no Homem e a visão luminosa do Universo. Esta sinfonia foi tocada em França em Março de 2007, dirigida, na sua versão final, pelo maestro Henri-Claude Fantapié. (Dharma, do sânscrito, significa ‘caminho’, ‘via’)
Sinfonia 6 ‘Monte Verde’ Para Vasco Martins, o Monte Verde, situado a Este da ilha de S.Vicente, é um monte sagrado: terra dos fililis, das brumas, dos guinchos, das plantas endémicas, do ar vivificante, das pedras de calcário com líquenes e de onde se pode ter uma visão impressionante que pode abarcar 6 ilhas do arquipélago, incluindo o pico do vulcão da ilha do Fogo. Monte Verde constitui para o compositor uma alquimia do espírito: necessidade meditativa, de beleza, de espiritualidade, de descanso e de caminhadas sem rumo. Durante anos Vasc d’Monteverde (nome de poeta que alguns agricultores do Monte Verde lhe puseram) vagueia pelas sendas e por entre as brumas deste monte, anotando aos poucos os chilreios dos pardais, dos fililis e sobretudo da águia pescadora, guincho. A Sinfonia 6, é, na tradição sinfónica, uma ‘sinfonia pastoral’, sem ser descritiva, celebrando o Monte Verde e a sua glória.
Sinfonia 8 ‘A procura da luz’ A Sinfonia 8 ‘A procura da luz’, também de um só andamento, foi composta em sete meses, tendo as ultimas revisões da partitura sido feitas dois dias antes da gravação em Teplice. Inicia com ‘chimes’ de bambus em escala pentatónica ad libitum. Segue-se um silêncio de 5 segundos: é o tumulto do mundo. Os bambus simbolizam a voz pura da natureza, o apelo á vida contemplativa e poética. A música inicia com motivos que se sucedem sem posterior repetição ou desenvolvimento: mas são unificados na forma arquitectónica da sinfonia. O discurso musical é para Vasco Martins uma ‘viagem’ para o auditor que ele deseja suficientemente plena. Após o acorde final (do-re-fa-sol-sib) que o compositor intitula ‘acorde radiante’, de novo se impõe um silêncio de 5 segundos que desta vez simbolizam o ‘tumulto interior de cada um pacificado pela música’.Idealismo consequente de Vasco Martins: a Sinfonia 8 é o seu íntimo testemunho, uma ode aos caminhos da espiritualidade sempre ascendente. È a mais simples das sinfonias de Vasco Martins, mas igualmente a mais misteriosa. Texto incluso no CD de Henri-Claude Fantapié
Henri-Caude Fantapié maestro compositor, musicólogo e pedagogo (França) Vasco Martins considera que, na obscuridade que nos rodeia, a música pode ser uma luz que permite o criador edificar os outros. É particularmente nas suas sinfonias que ele tenta transmitir «plenitude, tranquilidade e esperança». Nascido em Portugal em 1956, filho de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, há 42 anos vivendo em Cabo Verde, Vasco Martins é um compositor atípico no universo musical no início do século XXI. Efectuou duas etapas de estudos: em Portugal com Lopes-Graça e depois em Paris, onde beneficiou de uma bolsa de estudos no Centro Internacional de Estudos Musicais em Noisy-le-Sec. De retorno a Cabo Verde, leva uma vida retirada na sua ilha, longe de todo o centro de produção musical, somente ligado aos seus amigos músicos através da internet. Os seus estudos, principalmente em Paris no início dos anos 80, confrontaram-no a sistemas musicais então na moda, que ele não aceitou e que lhe permitiu formar uma linguagem pessoal que estava em contradição com as principais correntes, sobretudo serialistas. O estudo das músicas da sua ilha e a atracção pelas filosofias orientais, depressa o conduziram á vontade de situar o seu universo criador na linha da música de Villa-Lobos e de Sibelius e um pouco á maneira de Hohvaness nos Estados Unidos. Isto não o impediu de admirar a obra de Henri Dutilleux onde ele aprecia a profunda concordância do tempo e do universo. As suas primeiras obras foram interpretadas durante os seus estudos. Recompensado pela Tribuna da UNESCO pela obra Quinto Mundo, gravada por “ Les Solistes de Paris”, uma suite que já possuía em embrião as suas futuras obras, compôs Danças de Câncer estreada no Festival 38e Rugissants em Grenoble e tocada depois em Paris, antes de ser gravada. O seu regresso a Cabo Verde, ao ambiente natural indispensável ao seu temperamento, tornou difícil a divulgação da sua obra, apesar do apoio de intérpretes fiéis na Europa e nas Américas. Aproxima-se da ‘música do mundo’, compondo canções tradicionais para Hermínia (cantora cabo-verdiana), faz um distinto ciclo para voz e dois violoncelos para um disco da cantora Bévinda, mas as suas tentativas de levar a música ‘erudita’ ás suas ilhas e de divulgar as suas obras para orquestra de câmara ou sinfónica, não surtiram efeito, devido a falta de estruturas de criação e á dificuldade de se fazerem conhecidas quando não se frequenta assiduamente os grandes centros de criação musical. No entanto, pouco a pouco, a sua obra se constrói: 8 sinfonias, numerosas peças para orquestra de cordas, para guitarra ou musica electrónica, várias gravações. As oito sinfonias são uma procura ao mesmo tempo metafísica e formal, que não ficam sem evocar um modo de pensamento ‘sibeliano’, que Vasco Martins portanto só conheceu em 2004, tendo ele já composto uma grande parte da sua obra. A linguagem simples e modal é inseparável de uma rítmica que faz lembrar que Cabo Verde é uma ponte entre África e Brasil. Um espaço perdido num oceano imenso, um lugar ainda natural de onde não se pode fugir, a não ser que pela imaginação, singularmente encantando-se com os pássaros e acreditando que eles sejam capazes de percorrer a distância que vos separa do resto do mundo, ou simplesmente sonhando, como demonstram as quatro sinfonias aqui gravadas. A Sinfonia 3 «Arquipélago Magnético» está dividida em três partes. A obra começa por um movimento jubiloso, dionisíaco, seguido de uma longa meditação dos sopros que progride sobre o tecido das cordas e uma pulsação em contratempo dos baixos da orquestra. Após uma parte meditativa e melancólica, o 3º movimento toma o seu início numa espécie de movimento perpétuo. A Sinfonia 4 «Buda Dharma» foi escrita em dez dias, em Março de 2001 e estreada no Brasil no mesmo ano, antes de ser tocada em França em 2007. Com um só movimento, foi composta em plena natureza, no crepúsculo das montanhas da ilha de S. Vicente, inspirada nas últimas palavras de Buda: “ tudo que é composto se descompõe. Um Buda só pode indicar a boa via e transformar-se na lâmpada que vos ilumina. Está em vós próprios encontrar a salvação”. «Pandion halietus» também chamado de guincho em Cabo Verde, é uma águia que se pode encontrar especialmente nas ilhas oceânicas, em particular no Monte Verde. O seu canto inspirou a composição da Sinfonia 6, num só movimento: o ambiente naturalista é particularmente sensível. A Sinfonia 8, igualmente num só movimento, tem o título «A procura da luz». As escalas ascendentes e descendentes sucedem-se e, como sempre em Vasco Martins, repetem-se cada vez de forma diferente, enriquecendo-se de motivos que aparecem paulatinamente. A sua obra musical constitui hoje um corpus respeitável de uma bela variedade estilística, reflexão do tempo musical, expressão de um universo poético inspirado pela natureza, pelos fenómenos que regem o universo, ou por pensamentos espirituais e filosóficos, sobretudo do Extremo – Oriente. Henri-Claude Fantapié (texto original em língua francesa)
Music and images: Symphony 3, Movement 1 Music and images: Symphony 4 extract Music and images:Symphony 6, extract Music and images:Symphony 8, extract
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